Apresentação Oral em Congresso Acadêmico: Dicas Práticas
Apresentação oral em congresso acadêmico assusta quem está começando. Veja o que importa para não travar, comunicar bem e sair de lá aprendendo algo.
A primeira vez assusta. A segunda, também.
Você preparou meses de pesquisa, submeteu o resumo, foi aprovado, e agora está olhando para um prazo de apresentação oral em congresso com uma mistura de orgulho e pavor.
Normal. Completamente normal.
Apresentação oral em congresso é uma comunicação científica presencial com tempo limitado, objetivo definido e audiência especializada. É um formato com regras próprias, e ninguém nasce sabendo fazê-la. Você aprende errando, observando outros apresentadores e, se tiver sorte, recebendo feedback de alguém que não suavize demais os pontos a melhorar.
O que eu quero trazer aqui não é uma fórmula mágica. É o que funciona na prática, baseado no que observei ao longo de muitas apresentações, as minhas e as de pessoas que acompanho.
O que a apresentação oral não é
Antes de falar sobre o que fazer, vale desfazer um equívoco.
A apresentação oral não é a dissertação ou o artigo em forma de slides. Não é um resumo completo de tudo que você pesquisou. Não é uma aula.
É uma comunicação com objetivo específico: mostrar que você fez uma pesquisa relevante, com método adequado, e chegou a resultados que merecem atenção. Você tem 15 ou 20 minutos (dependendo do evento) para fazer esse ponto de forma clara e convincente.
Não precisa, e não deve tentar, contar tudo. Você vai escolher o que entra.
A estrutura que funciona na maioria dos casos
Há variações dependendo da área e do evento, mas uma estrutura sólida para comunicação oral acadêmica segue essa lógica:
O problema que você investigou, qual pergunta motivou a pesquisa, por que ela importa, o que já existe na literatura e onde está a lacuna que você está preenchendo. Esse trecho precisa ser rápido e claro. Se a audiência não entendeu o problema, nada mais vai fazer sentido.
Como você investigou, o método. Você não precisa detalhar cada passo metodológico como faria numa seção de metodologia escrita. Precisa dar confiança de que você sabe o que fez e por que fez. “Entrevistei 12 profissionais de saúde por método de snowball, com análise temática dos dados” é suficiente para uma slide de metodologia em congresso.
O que você encontrou, os resultados. Essa é a parte central. Prefira dois ou três achados bem explicados a oito resultados que a audiência não vai conseguir absorver. Se você tiver dados quantitativos, um gráfico claro vale muito mais que uma tabela cheia de números.
O que isso significa, a discussão e conclusão. O que seu resultado implica? Como ele conversa com a literatura? O que fica em aberto? Esse fechamento é o que fica na cabeça da pessoa depois que você termina.
Os slides: apoio, não roteiro
O erro mais comum que vejo em apresentadores iniciantes é criar slides cheios de texto e lê-los em voz alta.
Os slides existem para apoiar sua fala, não substituí-la. A audiência pode ler mais rápido do que você fala. Se o slide tem um parágrafo inteiro, as pessoas leram enquanto você ainda está na segunda frase, e perderam o fio.
Prefira slides com:
- Um título que diz o ponto principal da slide
- Uma imagem, gráfico ou dado que ilustra
- No máximo três linhas de texto de apoio
Se você não consegue deixar o slide mais vazio porque sente que vai esquecer o que falar, isso é sinal de que você precisa ensaiar mais, não de que o slide precisa de mais texto.
Como preparar sem perder a cabeça
A maioria das pessoas prepara os slides primeiro e o que vai falar depois. Funciona, mas não é o caminho mais eficiente.
Uma alternativa: antes de montar qualquer slide, escreva em linguagem simples o que você quer que a audiência entenda depois de te ouvir. Uma, duas frases. Esse é o seu objetivo de comunicação.
Com esse objetivo claro, você decide o que entra na apresentação e o que fica fora. Tudo que não contribui para esse objetivo pode ser cortado sem culpa.
Depois de montar os slides, ensaie em voz alta. Não na cabeça, em voz alta, de preferência para alguém. Você vai descobrir onde a explicação trava, onde está rápido demais, onde você está usando jargão que a audiência pode não compartilhar.
Faça isso pelo menos três vezes. A terceira costuma ser notavelmente melhor que a primeira.
No dia da apresentação
Algumas coisas práticas que fazem diferença e costumam ser ignoradas:
Chegue antes do horário e teste o equipamento. Cabo HDMI que não encaixa, arquivo que não abre porque é uma versão diferente do PowerPoint, microfone que está com volume errado, essas coisas acontecem e roubar 3 minutos da sua apresentação para resolver isso é péssimo.
Leve o arquivo em mais de um formato e em mais de um dispositivo. Pen drive com .pdf e .pptx. E-mail para você mesmo com o arquivo. Nuvem acessível. Paranoico? Um pouco. Eficiente? Sempre.
Fale para a audiência, não para o slide. Evite ficar de costas para as pessoas apontando para a tela. Se você precisa apontar para algo no slide, aponte brevemente e volte para a audiência.
O que fazer na sessão de perguntas
A sessão de Q&A assusta mais que a apresentação em si para muita gente. Mas ela tem uma dinâmica previsível que você pode se preparar para navegar.
-
Ouça a pergunta inteira antes de começar a responder. Parece óbvio, mas com nervosismo é fácil começar a responder quando a pergunta está na metade. Você vai responder uma coisa diferente do que foi perguntado.
-
É completamente aceitável dizer “vou pensar um segundo” antes de responder. Silêncio de 3 segundos parece eterno para quem está no centro do palco, mas a audiência mal percebe.
-
Se você não sabe, diga que não sabe. “Não investiguei esse aspecto, é uma dimensão interessante” é uma resposta profissional. Tentar improvisar uma resposta técnica sobre algo que você não domina vai ficar evidente para quem está perguntando, que provavelmente é especialista no assunto.
-
Perguntas difíceis ou críticas são parte normal do processo acadêmico. Não é pessoal. É ciência funcionando. Receber uma crítica metodológica precisa e saber dialogar com ela, com abertura, é muito mais bem avaliado do que se defender como se o pesquisador fosse a pesquisa.
O que muda depois de algumas apresentações
A primeira apresentação vai ser imperfeita. Provavelmente a segunda também. Isso não é problema, é o processo funcionando.
O que acontece com a prática é que você começa a entender o ritmo, a identificar quando a audiência está engajada ou perdida, a fazer o ajuste de velocidade em tempo real, a usar o espaço com mais naturalidade.
E há algo que só vem com experiência: você começa a apresentar de um lugar de interesse genuíno pelo que está comunicando, e não de um lugar de medo de errar. Essa diferença é sentida pela audiência.
O congresso é, entre outras coisas, onde você pratica isso.
Uma última coisa
Faz sentido? A apresentação oral em congresso não é a prova definitiva da sua competência como pesquisador. É uma habilidade, como qualquer outra, esenvolve.
O objetivo é comunicar bem a pesquisa que você fez. Não impressionar, não fingir dominar o que não domina, não competir com quem tem mais experiência no evento.
Você vai lá, apresenta com honestidade, aprende com as perguntas e vai embora com mais repertório do que entrou. Isso já é muito. Na próxima rodada você chega com mais segurança, mais capacidade de ler a sala e mais clareza sobre o que realmente importa comunicar.
Perguntas frequentes
Quantos slides devo usar em uma apresentação oral de congresso?
O que fazer se a banca ou audiência fizer uma pergunta que não sei responder?
Como controlar o nervosismo na hora de apresentar?
Leia também
Receba estratégias de escrita acadêmica direto no seu feed
Siga a Dra. Nathalia no YouTube e Instagram para conteúdo gratuito sobre o Método V.O.E.