Método

Bolsa no Exterior: CAPES-Print e PDSE Como Aplicar

CAPES-Print e PDSE são os principais caminhos para estágio de pesquisa no exterior pelo governo brasileiro. Entenda como cada um funciona antes de aplicar.

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Pesquisa no exterior: o caminho existe, mas exige planejamento

Vamos lá. Fazer parte do doutorado no exterior, publicar com pesquisadores internacionais, ter no currículo uma experiência de internacionalização — esses objetivos aparecem com frequência nas conversas sobre carreira acadêmica. E o caminho de financiamento, para pesquisadores brasileiros, passa principalmente pela CAPES e pelo CNPq.

Duas modalidades se destacam: o PDSE (Programa de Doutorado Sanduíche no Exterior) e o CAPES-Print. São diferentes em estrutura, em quem pode acessar e em como funciona a candidatura. Entender essa diferença antes de começar a planejar economiza tempo e evita expectativas equivocadas.

PDSE: a via individual

O PDSE do CNPq é o caminho mais direto para doutorandos que querem financiamento individual para estágio no exterior. A candidatura parte do próprio aluno, com apoio do orientador, e é avaliada pelo CNPq com base em critérios objetivos.

O que financia: estadia no exterior de 6 a 12 meses durante o doutorado, com bolsa mensal em moeda estrangeira (o valor varia por país de destino e é atualizado pelo CNPq), auxílio instalação, seguro saúde e passagem aérea.

Quem pode candidatar: doutorando matriculado em programa com conceito CAPES 4 ou superior, com orientador no Brasil e supervisão acordada com pesquisador na instituição receptora. Geralmente é exigido que o doutorando esteja em período adequado do doutorado, nem no início nem no estágio final próximo à defesa.

O que é necessário:

  • Carta de aceite do supervisor estrangeiro na instituição de destino
  • Plano de trabalho detalhando o que será realizado no exterior e como se integra ao doutorado
  • Carta de aprovação do orientador brasileiro
  • Documentação acadêmica (histórico do doutorado, currículo lattes atualizado)
  • Documentação pessoal e institucional conforme exigida no edital

O processo de candidatura acontece pelo sistema da Plataforma Carlos Chagas do CNPq. Os prazos e as chamadas abertas estão no site do CNPq.

CAPES-Print: a via institucional

O CAPES-Print funciona de forma diferente. Em vez de candidatura individual, ele opera por meio de acordos entre a CAPES e universidades brasileiras aprovadas no programa. As universidades conveniadas recebem cotas de bolsas que são distribuídas internamente segundo critérios definidos por cada instituição.

Isso significa que, para acessar o CAPES-Print, o primeiro passo é verificar se a sua universidade é parceira do programa. Se for, o segundo passo é verificar como a sua universidade distribui as bolsas internamente — cada instituição tem seu próprio processo, que pode incluir edital interno, seleção por comitê ou indicação por departamento.

O CAPES-Print cobre diferentes modalidades de internacionalização: doutorado sanduíche, pós-doutorado no exterior, visitas de professores ao exterior e recepção de pesquisadores estrangeiros. A distribuição das cotas por modalidade também varia por instituição.

Para quem está em universidade conveniada, o CAPES-Print pode ser mais acessível do que o PDSE individual, porque o processo de seleção interno pode ter menos concorrência e a orientação da universidade ajuda na montagem do dossiê.

A peça mais difícil: a carta de aceite

Em ambas as modalidades, a carta de aceite do pesquisador ou instituição estrangeira é central. E essa é a parte que a maioria dos doutorandos não sabe como fazer.

O processo começa com identificação de pesquisadores no exterior com linha de trabalho compatível com o seu doutorado. Não precisa ser apenas compatível — precisa ser uma colaboração que faça sentido para os dois lados. O pesquisador no exterior está aceitando te receber, eventualmente co-orientar, e isso tem custo de tempo e atenção para ele.

O contato inicial geralmente é por e-mail. Um e-mail eficiente para esse propósito: apresenta quem você é em poucas linhas, descreve o projeto de doutorado de forma clara e concisa, explica por que aquela colaboração específica seria relevante (com referência ao trabalho do pesquisador), propõe o período e a modalidade de estadia, e inclui o currículo ou link para o lattes.

E-mails longos, genéricos, ou que claramente foram enviados para uma lista de professores sem personalização têm taxa de resposta baixa. E-mails curtos, específicos e que demonstram familiaridade com o trabalho do pesquisador têm chance melhor.

Seu orientador pode ser um canal importante aqui. Pesquisadores com rede internacional estabelecida frequentemente podem fazer apresentações por e-mail que têm muito mais peso do que o contato direto de um desconhecido.

O plano de trabalho para o exterior

Tanto no PDSE quanto no CAPES-Print, é necessário apresentar um plano de trabalho para o período no exterior. Esse plano precisa ser coerente com o doutorado que você está fazendo e específico sobre o que você vai produzir durante a estadia.

Um plano de trabalho fraco descreve atividades vagas (“participar de seminários”, “acessar acervo da biblioteca”). Um plano de trabalho forte descreve objetivos de pesquisa específicos para o período, a metodologia que será usada, a infraestrutura que a universidade receptora oferece e que justifica a escolha dela, e os resultados esperados (capítulo de tese, artigo, coleta de dados específica).

O plano de trabalho é avaliado em conjunto com o seu projeto de doutorado. A coerência entre os dois é verificada. Pesquisadoras que apresentam projetos de doutorado sobre saúde pública e planos de trabalho sobre ciências biológicas vão levantar questões nos avaliadores.

Custos que a bolsa não cobre

Antes de decidir se a bolsa faz sentido para o seu momento, vale mapear o que os programas cobrem e o que fica de fora.

A bolsa mensalidade é para custeio de vida no exterior. Não cobre moradia separada para família que eventualmente viaja junto. Não cobre schooling de filhos acompanhantes na maioria dos casos. Não cobre deslocamentos adicionais dentro do país de destino.

O custo de vida no país de destino precisa ser verificado. Uma bolsa que é suficiente para viver em Portugal pode não ser suficiente para viver em Zurique. As tabelas do CNPq estabelecem valores por país, mas esses valores são revisados com menos frequência do que os custos reais mudam.

Para pesquisadoras com família, a decisão de levar família ou manter dois domicílios durante o período tem implicações financeiras concretas que precisam ser calculadas antes da decisão.

Como se preparar antes da chamada abrir

Editais de bolsas para o exterior têm prazos. Quando o prazo abre, quem já tem os elementos prontos tem vantagem enorme sobre quem começa a correr.

O que preparar antes: identificar e contatar potenciais supervisores no exterior, iniciar a construção do plano de trabalho, atualizar currículo, verificar com a secretaria do programa quais documentos serão necessários e como obtê-los.

Isso pode levar meses, especialmente a parte de conseguir a carta de aceite. Começar com 6 meses de antecedência em relação ao prazo esperado do edital é realista.

Uma última observação prática: professores que já fizeram doutorado sanduíche ou pós-doutorado no exterior são os melhores interlocutores para entender como o processo realmente funciona na sua área específica. As regras gerais existem, mas os detalhes práticos — qual país faz mais sentido para o seu tema, quais laboratórios são receptivos, como funcionou a burocracia — vêm de quem passou por isso recentemente.

O Método V.O.E. inclui essa perspectiva de planejamento de longo prazo da trajetória de pesquisa, não só da dissertação em si. Para mais materiais sobre internacionalização e sobre como construir candidaturas para bolsas, os recursos do blog têm informações complementares sobre esse percurso.

Perguntas frequentes

Qual é a diferença entre o CAPES-Print e o PDSE?
O PDSE (Programa de Doutorado Sanduíche no Exterior) é uma modalidade individual onde o doutorando solicita bolsa diretamente ao CNPq para realizar parte do doutorado no exterior, geralmente de 6 a 12 meses. O CAPES-Print (Programa Institucional de Internacionalização) opera por meio de editais institucionais, onde as universidades brasileiras aprovadas no programa recebem cotas de bolsas para seus alunos e professores viajarem ao exterior em missões de pesquisa. Verificar se sua universidade é conveniada ao CAPES-Print é o primeiro passo para essa modalidade.
Quem pode se candidatar ao PDSE pelo CNPq?
O PDSE do CNPq é destinado a doutorandos matriculados em programas de pós-graduação no Brasil com conceito CAPES 4 ou superior. O candidato precisa ter orientador no Brasil e co-orientador ou supervisor na instituição estrangeira. A candidatura é individual e exige carta de aceite da universidade receptora, plano de trabalho para o período no exterior e carta de aprovação do orientador. Os critérios e valores de bolsa são atualizados periodicamente — consultar o site do CNPq para as especificações vigentes.
Como conseguir carta de aceite de universidade estrangeira para doutorado sanduíche?
A carta de aceite de um professor estrangeiro é um dos maiores desafios práticos da candidatura. O caminho mais comum é identificar pesquisadores no exterior com linha de pesquisa compatível, ler publicações recentes desse pesquisador, e enviar um e-mail apresentando-se, descrevendo o projeto de pesquisa e propondo a colaboração. Não existe fórmula garantida, mas e-mails que mostram familiaridade com o trabalho do pesquisador e que propõem algo específico têm mais chance de resposta do que contatos genéricos. O orientador brasileiro pode facilitar conexões por meio de sua rede.
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