Como Citar Inteligência Artificial ABNT: Guia 2026
Como citar ChatGPT, Gemini e outras IAs pela ABNT em trabalhos acadêmicos. Exemplos prontos e orientações da NBR 6023 atualizadas.
Citar IA na ABNT é uma questão nova. E sem resposta única.
Olha só: você usou o ChatGPT para ajudar na revisão de um texto, ou o Gemini para formatar um resumo, ou o Copilot para estruturar um argumento. Agora a banca quer saber como você citou essas ferramentas, e você está olhando pra página de referências sem saber por onde começar.
A realidade é essa: a ABNT ainda não tem uma norma específica para IAs generativas. A NBR 6023, que regula referências bibliográficas, não cobre explicitamente ferramentas como ChatGPT, Claude ou Gemini. O que existe são orientações adaptadas de normas para softwares e documentos eletrônicos, além de recomendações de associações acadêmicas internacionais que pesquisadores brasileiros estão começando a adotar.
Vamos entender o que existe e como aplicar de forma responsável.
Por que citar IA é diferente de citar qualquer outra fonte
Quando você cita um livro ou artigo, está apontando para um conteúdo fixo, revisado e rastreável. Outra pessoa pode acessar exatamente o mesmo texto que você leu.
Com IA generativa, isso não funciona assim. O ChatGPT produz respostas diferentes para a mesma pergunta, em momentos diferentes, para pessoas diferentes. Não há paginação, não há autor no sentido acadêmico tradicional, e o conteúdo pode se alterar a cada nova versão do modelo.
Isso cria um problema de rastreabilidade. A referência existe para que outra pessoa possa verificar a fonte. No caso de IAs, essa verificação é muito limitada.
Por isso, antes de discutir o formato da referência, é importante entender uma distinção: você está citando a IA como ferramenta (usou para ajudar no processo) ou como fonte de informação (está reproduzindo o que ela disse como evidência)?
Essas são situações muito diferentes, e têm tratamentos diferentes.
Quando a IA é ferramenta: declaração de uso, não referência
Se você usou ChatGPT para revisar a gramática de um parágrafo, formatar um texto ou traduzir um trecho, você não está citando a IA como fonte intelectual. Você está usando uma ferramenta.
A orientação mais adotada em programas de pós-graduação brasileiros, alinhada com recomendações de instâncias como a CAPES, é declarar o uso no texto (geralmente na seção de metodologia ou em nota de rodapé), sem necessariamente criar uma referência bibliográfica completa.
Exemplo de declaração no corpo do texto:
“Para revisão gramatical e adequação do vocabulário técnico, utilizou-se o modelo de linguagem ChatGPT-4o (OpenAI, 2025). O conteúdo intelectual, a análise e as interpretações são de responsabilidade exclusiva da autora.”
Esse tipo de declaração é mais honesto e mais útil do que uma referência bibliográfica que ninguém vai conseguir replicar de forma fidedigna.
Quando a IA é citada como “fonte”: como formatar pela ABNT adaptada
Se você reproduziu uma resposta específica da IA e quer referenciá-la (algo que a maioria dos programas desaconselha, mas que pode aparecer em determinados contextos), a adaptação da NBR 6023 mais usada segue o formato de software ou documento eletrônico:
Formato para o ChatGPT:
OPENAI. ChatGPT (versão GPT-4o). [São Francisco]: OpenAI, 2025. 1 resposta gerada por IA. Prompt: “[transcreva aqui sua pergunta exata]”. Disponível em: https://chat.openai.com. Acesso em: 11 abr. 2026.
Formato simplificado (adotado por algumas instituições):
OPENAI. ChatGPT. Versão GPT-4o. [s.l.]: OpenAI, 2025. Resposta gerada por inteligência artificial. Acesso em: 11 abr. 2026.
Na citação dentro do texto, você usaria: (OPENAI, 2025).
Para o Gemini (Google):
GOOGLE. Gemini. Versão Gemini 1.5 Pro. [s.l.]: Google LLC, 2025. Resposta gerada por inteligência artificial. Disponível em: https://gemini.google.com. Acesso em: 11 abr. 2026.
Para o Claude (Anthropic):
ANTHROPIC. Claude. Versão Claude 3.5 Sonnet. [s.l.]: Anthropic, 2025. Resposta gerada por inteligência artificial. Disponível em: https://claude.ai. Acesso em: 11 abr. 2026.
O que muda entre diferentes versões dos modelos
Isso importa: versões diferentes dos modelos de IA produzem resultados diferentes. O GPT-4 e o GPT-4o têm comportamentos distintos. O Claude 3 Haiku e o Claude 3.5 Sonnet também.
Se você vai referenciar uma resposta específica de IA, identificar a versão do modelo é parte essencial da referência. Sem isso, a rastreabilidade cai ainda mais.
Nas interfaces das ferramentas, geralmente dá para ver qual versão do modelo está sendo usada. Vale registrar no momento do uso, porque essa informação pode sumir depois.
O que a maioria dos programas de pós-graduação está pedindo
A pergunta prática é: o que minha instituição aceita?
A resposta honesta é que as normas institucionais brasileiras ainda estão em formação. Muitos programas publicaram orientações temporárias em 2023 e 2024, e vários já revisaram essas orientações mais de uma vez.
O que a maioria tem em comum:
Transparência é obrigatória. Se você usou IA de qualquer forma no trabalho, isso precisa estar declarado em algum lugar, seja no método, seja em nota de rodapé.
IA não é fonte cítável como literatura científica. O conteúdo gerado por IA não passou por revisão por pares, não tem autor que responde pelo que escreveu e não é rastreável de forma confiável. Usar resposta de IA como “referência” para embasar um argumento científico fragiliza seu trabalho.
O uso como ferramenta auxiliar é geralmente aceitável, com declaração. Revisão textual, tradução, formatação, geração de esboços que você depois reescreveu e verificou: esses usos são cada vez mais aceitos, desde que transparentes.
Vale verificar a política atual do seu programa antes de submeter qualquer trabalho.
Diferença entre a abordagem ABNT e a APA
A APA (American Psychological Association) publicou orientações específicas sobre citação de IA antes da ABNT. O formato APA para o ChatGPT ficou bastante difundido em meios acadêmicos internacionais:
OpenAI. (2025). ChatGPT (versão GPT-4o) [Modelo de linguagem grande]. https://chat.openai.com
O princípio é parecido: identificar o desenvolvedor, o nome da ferramenta, a versão e o endereço de acesso.
A diferença está na estrutura da referência (APA coloca o ano entre parênteses logo após o autor) e em alguns detalhes de pontuação. Se o seu trabalho segue ABNT, use o formato adaptado da NBR 6023. Se for submetido a um periódico internacional que usa APA, use o formato APA.
O que fazer enquanto não há norma específica
Faz sentido que exista incerteza. A tecnologia chegou mais rápido do que as normas acadêmicas conseguem acompanhar. Mas enquanto a ABNT não publica uma norma específica, algumas condutas práticas reduzem o risco de problemas:
Primeiro, verifique a política do seu programa. Não assuma que a política de outra instituição se aplica ao seu caso.
Segundo, seja explícito sobre o uso. Uma nota de rodapé clara é mais honesta e mais funcional do que uma referência incompleta que ninguém vai conseguir acessar.
Terceiro, não substitua fontes primárias por respostas de IA. Se você precisa de informação sobre determinado assunto, busque artigos científicos, livros e documentos primários. Use a IA para ajudar no processo de pesquisa e escrita, não para substituir as fontes.
No Método V.O.E., a etapa de organização inclui justamente definir que tipo de fonte sustenta cada argumento do seu trabalho. IA pode ajudar na construção, mas não substitui o embasamento.
Conclusão direta
A ABNT não tem norma específica para IA generativa em 2026. O que existe são adaptações da NBR 6023 para softwares e documentos eletrônicos, e orientações institucionais que variam por programa.
O caminho mais seguro: declare o uso com clareza no seu trabalho, não substitua fontes científicas por respostas de IA, e siga as orientações específicas do seu programa de pós-graduação. Se precisar formatar uma referência, use as adaptações apresentadas acima como ponto de partida, e consulte sua biblioteca.
O campo está em movimento. O que prevalece, por enquanto, é a responsabilidade do pesquisador de ser transparente sobre como usou as ferramentas.