Método

Como Fazer Referências ABNT em 2026: Guia Atualizado

Entenda a NBR 6023:2018 para referências bibliográficas, com exemplos por tipo de fonte e os erros mais comuns que a banca aponta nos trabalhos acadêmicos.

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Referencial teórico não é lista de tudo que você leu

Referência bibliográfica não é a mesma coisa que referencial teórico. Essa distinção parece óbvia, mas muitas pesquisadoras tratam a lista de referências como prova de leitura, acumulando entradas que não aparecem no texto, ou colocando fontes que aparecem no texto sem entrada na lista.

Referência bibliográfica é o conjunto de elementos que identificam uma fonte citada no texto. Pela NBR 6023:2018, toda fonte citada deve ter uma referência correspondente na lista final, e toda referência da lista deve corresponder a uma citação no texto. A relação é biunívoca: nada na lista que não apareça no texto, nada no texto sem referência na lista.

Esse ponto parece básico, mas é onde muitos trabalhos têm inconsistências, e inconsistências na lista de referências são facilmente encontradas por bancas que revisam o trabalho com atenção.

O que a NBR 6023:2018 mudou na prática

A versão de 2018 da norma trouxe alguns ajustes em relação à versão de 2002 que ainda confundem quem usa manuais antigos:

DOI passou a ser obrigatório quando disponível. O identificador digital de objetos (DOI) é um código permanente que aponta para o artigo independentemente de onde ele está hospedado. Quando o artigo tem DOI, a referência deve incluí-lo no final, no formato https://doi.org/XXXXXX. A URL do periódico tornou-se secundária quando há DOI.

Pontuação foi revisada em alguns tipos. Pequenas mudanças de pontuação foram introduzidas em certos tipos de referência. Se você usa geradores automáticos como Zotero, Mendeley ou os geradores online, verifique se eles estão usando a versão 2018, não a 2002.

Fontes digitais foram melhor organizadas. A norma de 2002 tratava fontes eletrônicas de modo genérico. A versão de 2018 diferencia melhor e-books, artigos em repositórios institucionais, sites, vídeos, redes sociais e outros formatos digitais.

Número de autores para uso de “et al.” foi ajustado. Verifique a versão que seu programa ou manual institucional adota, porque há variações.

A estrutura básica por tipo de fonte

Cada tipo de fonte tem uma estrutura própria. Os mais usados em trabalhos acadêmicos:

Livro: SOBRENOME, Nome. Título. Edição (se não for a primeira). Local: Editora, Ano.

Capítulo de livro com organizadores: SOBRENOME, Nome do autor do capítulo. Título do capítulo. In: SOBRENOME, Nome do org. Título do livro. Local: Editora, Ano. p. início-fim.

Artigo em periódico científico: SOBRENOME, Nome. Título do artigo. Nome do Periódico, Local, v., n., p. início-fim, mês ano. DOI: https://doi.org/XXXXXX

Tese ou dissertação: SOBRENOME, Nome. Título. Ano. N páginas. Tipo (Tese/Dissertação), nome do Programa, Instituição, Cidade, Ano.

Reportagem em jornal impresso: SOBRENOME, Nome. Título da reportagem. Nome do jornal, local, dia mês. ano. Caderno, página.

Página web: SOBRENOME, Nome (ou nome da organização). Título da página. Local, Ano (quando disponível). Disponível em: URL. Acesso em: dia mês. ano.

A estrutura muda porque o que identifica a fonte de modo único muda. Livros têm editora, não data de publicação em jornal. Artigos têm volume e número de periódico, não editora. Cada tipo de fonte tem seus elementos próprios.

Por que o itálico importa

O uso de itálico nas referências não é estético: é normativo. O que vai em itálico?

Títulos de obras independentes: livros, periódicos, teses, dissertações, relatórios, websites.

O que não vai em itálico: títulos de partes de obras (capítulos, artigos, seções), que ficam em redondo (texto normal).

Essa distinção tem uma lógica: o itálico marca o todo, e o redondo marca a parte contida naquele todo. Artigo está dentro do periódico, que vai em itálico. Capítulo está dentro do livro, que vai em itálico.

Quando essa distinção é invertida, ou quando o itálico é aplicado aleatoriamente, a referência fica tecnicamente errada mesmo que todos os outros elementos estejam corretos.

A questão do local de publicação

Para livros, a referência inclui o local de publicação (cidade da editora). Esse dado costuma estar na página de rosto do livro ou no verso da folha de rosto.

O problema surge quando o livro não indica o local. Nesse caso, usa-se “[S.l.]” (sine loco, sem lugar). Para editora não identificada, usa-se “[s.n.]” (sine nomine).

Para livros digitais sem dados editoriais claros, o mesmo princípio se aplica: indique o que está disponível e registre as ausências com as convenções da norma.

Um detalhe que gera confusão: quando o local é uma cidade fora do Brasil com nome que pode ser ambíguo, adiciona-se o estado ou país. Cambridge, MA (Massachusetts) é diferente de Cambridge no Reino Unido.

Referências de documentos oficiais e legislação

Em administração, direito, saúde pública e áreas afins, é comum citar leis, decretos, portarias e resoluções. A NBR 6023:2018 tem regras específicas para esses documentos.

O elemento de entrada é o nome do país, estado ou município que emitiu o documento, seguido da esfera de governo (governo, câmara, senado, ministério) e do nome do documento.

Para legislação federal brasileira disponível online, a referência inclui a URL do site oficial (Planalto, DOU) e a data de acesso. Esses documentos costumam ter identificador permanente, o que facilita a citação.

Gerenciadores de referências: o que ajudam e o que não

Zotero, Mendeley e outros gerenciadores de referências fazem parte do trabalho de muitas pesquisadoras hoje. Eles são úteis para organizar as fontes, mas têm limitações para ABNT.

O estilo ABNT no Zotero e no Mendeley, por exemplo, pode não estar completamente atualizado para a NBR 6023:2018, e pode não seguir as adaptações do manual institucional do seu programa. Referências geradas automaticamente precisam ser verificadas manualmente antes de ir para o trabalho.

Isso não é um argumento contra os gerenciadores: eles economizam tempo na organização e na inserção de citações no texto. O argumento é para não assumir que a referência gerada automaticamente está correta sem conferir.

O que vale aprender: como exportar as referências do gerenciador e como revisá-las contra a norma. Esse processo leva pouco tempo quando você conhece a estrutura de cada tipo de referência.

A lista de referências no final do trabalho

A lista de referências vai no final do trabalho, após a conclusão e antes dos apêndices. Ela deve ser organizada em ordem alfabética pelo primeiro elemento de cada referência (geralmente o sobrenome do autor), sem numeração e com espaçamento simples dentro de cada referência e espaço entre as referências.

Quando há mais de uma referência do mesmo autor, usam-se três traços (que substituem o nome) nas referências subsequentes, organizadas em ordem cronológica crescente. Esse detalhe é específico da ABNT e costuma ser esquecido.

O ponto que organiza tudo

Saber fazer referências corretas é parte do domínio técnico da escrita acadêmica. Não é o mais importante, mas é o que fica visível na superfície do trabalho. Uma lista de referências bem formatada indica domínio das convenções da área.

Se você está organizando referências para o TCC, dissertação ou primeiro artigo e quer um método que vai além da formatação, cobrindo como selecionar fontes relevantes, organizar o argumento e escrever com consistência, o Método V.O.E. (Velocidade, Organização, Execução Inteligente) tem um percurso estruturado para isso. A fase de Organização, especificamente, cobre a lógica de uso de fontes dentro do argumento, não só a lista no final.

A consistência que faz diferença

Um detalhe subestimado: a lista de referências precisa ser internamente consistente. Se você decide abreviar o nome dos autores (ex: SILVA, J. A.), faça isso para todos. Se decide escrever por extenso, escreva por extenso para todos. Misturar estilos dentro da mesma lista é um erro fácil de cometer e fácil de notar.

O mesmo vale para a pontuação entre elementos, o uso de espaço após o ponto e as convenções de data. Uma vez que você define o padrão, aplica-o uniformemente do primeiro ao último registro da lista.

Quando você revisa a lista de referências antes da entrega, olhe para ela como um todo, não só para cada referência individualmente. Inconsistências ficam mais visíveis quando você vê o conjunto.

Perguntas frequentes

Qual é a norma ABNT vigente para referências bibliográficas em 2026?
A norma vigente é a NBR 6023:2018, que substituiu a NBR 6023:2002. Ela regula como formatar referências de livros, artigos, teses, dissertações, documentos digitais e outros tipos de fonte em trabalhos acadêmicos brasileiros.
O que mudou na NBR 6023:2018 em relação à versão anterior?
A NBR 6023:2018 reorganizou o tratamento de fontes digitais, tornou obrigatório o DOI quando disponível, ajustou a pontuação em alguns tipos de referência e esclareceu como tratar fontes sem autoria identificada e documentos com múltiplos autores.
Como fazer referência de artigo científico com DOI em ABNT?
Para artigo com DOI, a referência segue o formato padrão de periódico e inclui o DOI ao final, precedido de 'https://doi.org/'. O DOI substitui ou complementa a URL do artigo e não exige data de acesso, pois é um identificador permanente.

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