Dissertação de Mestrado: Estrutura e Exemplos Reais
Entenda como é organizada uma dissertação de mestrado, o que vai em cada capítulo e onde encontrar exemplos reais para orientar o seu trabalho.
Dissertação de mestrado: o que você vê antes de escrever a sua
Olha só: uma das práticas mais subestimadas entre mestrandos é ler dissertações prontas antes de começar a escrever a própria. Não para copiar, mas para entender o que uma dissertação realmente é: como os capítulos se organizam, que tipo de linguagem é usada, como a metodologia é descrita, como as conclusões são construídas.
Esse contato com o produto acabado dá uma referência concreta que nenhuma aula de metodologia consegue substituir.
Neste post, você vai entender a estrutura de uma dissertação de mestrado, o que vai em cada parte, e onde encontrar exemplos reais que podem servir de referência para o seu trabalho.
O que é uma dissertação de mestrado?
A dissertação é o documento científico que você produz ao final do mestrado, demonstrando capacidade de pesquisa independente. Ela precisa ter problema de pesquisa, metodologia adequada, análise dos dados ou da literatura, e conclusões fundamentadas.
Formalmente, a dissertação é defendida perante uma banca composta por pelo menos três docentes: o orientador e dois outros professores, pelo menos um deles externo à instituição.
No Brasil, a norma que define a estrutura dos trabalhos acadêmicos é a ABNT NBR 14724. Mas cada programa tem suas especificidades, e o template fornecido pelo programa geralmente já incorpora essas normas no formato.
Estrutura completa: elemento por elemento
Elementos pré-textuais
São as partes que vêm antes do texto principal. Incluem: capa, folha de rosto, ficha catalográfica (elaborada pela biblioteca da instituição), folha de aprovação, dedicatória (opcional), agradecimentos (opcional), epígrafe (opcional), resumo em português e em língua estrangeira, lista de figuras, tabelas e abreviaturas (quando aplicável), e sumário.
O resumo merece atenção especial porque é o que mais pessoas leem além do orientador e da banca. Ele deve apresentar: problema, objetivos, metodologia e principais resultados. Costuma ter entre 150 e 500 palavras conforme as normas do programa.
Introdução
A introdução apresenta o tema, contextualiza o problema, justifica a pesquisa e apresenta os objetivos. Em muitas dissertações, a introdução também anuncia a estrutura dos capítulos subsequentes.
A introdução costuma ser escrita por último, depois que você já escreveu os outros capítulos. Faz sentido: é mais fácil introduzir o que você já fez do que o que ainda vai fazer.
Referencial teórico (ou fundamentação teórica)
Esse capítulo organiza os conceitos, teorias e estudos que sustentam a pesquisa. Ele não é uma enciclopédia do tema. É uma síntese seletiva do que é diretamente relevante para a sua pergunta de pesquisa.
O referencial teórico costuma ser o capítulo mais trabalhoso da dissertação, porque exige leitura extensa e capacidade de síntese. Mas é também o capítulo que mais diferencia um trabalho superficial de um trabalho sólido.
Metodologia
O capítulo de metodologia descreve como a pesquisa foi conduzida: tipo de pesquisa, estratégia metodológica, participantes ou corpus, instrumentos, procedimentos de coleta e análise. Precisa ser detalhado o suficiente para que outra pessoa possa entender e replicar o estudo.
Uma metodologia bem descrita também é a primeira defesa contra críticas da banca. Quando você explica claramente por que fez cada escolha metodológica, a banca avalia as escolhas, não fica com dúvidas sobre o que você fez.
Resultados e discussão
Em dissertações quantitativas, os resultados costumam vir primeiro (tabelas, gráficos, estatísticas) e depois a discussão (interpretação dos resultados à luz da literatura). Em dissertações qualitativas, resultados e discussão aparecem frequentemente integrados.
A discussão é onde você mostra que entende o que os dados significam no contexto do campo. Não basta apresentar: você precisa dialogar com a literatura, apontar convergências e divergências, e identificar o que os seus resultados acrescentam ao conhecimento existente.
Conclusão ou considerações finais
As considerações finais retomam os objetivos, sintetizam as principais contribuições, reconhecem as limitações do trabalho e apontam perspectivas para pesquisas futuras.
Uma conclusão comum e problemática é simplesmente listar os resultados novamente. A conclusão precisa ir além da repetição: precisa dizer o que a pesquisa permitiu compreender que antes não estava claro.
Referências
A lista de referências inclui todas as obras citadas no texto, formatada conforme as normas da instituição (geralmente ABNT NBR 6023 no Brasil).
Um erro frequente é ter referências não citadas no texto ou citações no texto sem referência correspondente. Isso é verificado pela banca e pelos avaliadores.
Onde encontrar dissertações prontas para referência?
Os repositórios públicos são o melhor lugar para isso.
Catálogo de Teses e Dissertações da CAPES (catalogodeteses.capes.gov.br): é o repositório nacional mais completo. Você pode filtrar por área, instituição, ano e palavras-chave. Muitos trabalhos têm texto completo disponível para download.
BDTD (Biblioteca Digital Brasileira de Teses e Dissertações) (bdtd.ibict.br): agrega os repositórios de diversas universidades brasileiras em uma única interface de busca.
Repositórios institucionais: cada universidade tem o seu próprio repositório de teses e dissertações, geralmente acessível pelo site da biblioteca. Busque no Google o nome da instituição + “repositório institucional”.
Ao buscar exemplos, filtre pela sua área e, se possível, pela mesma linha de pesquisa do seu programa. Dissertações de áreas diferentes podem ter estruturas bastante distintas.
O que observar em uma dissertação pronta?
Quando você abrir uma dissertação como referência, preste atenção em pontos específicos:
Como a introdução delimita o problema e justifica a pesquisa? Isso pode ajudar a construir a sua própria introdução.
Como o referencial teórico está organizado? Quantos capítulos ou seções ele tem? Quais autores são centrais?
Como a metodologia é descrita? Qual o nível de detalhe?
Como os resultados são apresentados? Há tabelas, figuras, transcrições de entrevistas?
Como as considerações finais articulam as contribuições com as limitações?
Essa leitura analítica de dissertações prontas é, na prática, um treinamento de escrita. Você está aprendendo a linguagem do gênero antes de produzi-lo.
Dissertação no formato de artigos
Em alguns programas, especialmente nas ciências biológicas, exatas e em programas de internacionalização crescente, a dissertação pode ser apresentada no formato de coletânea de artigos, também chamada de dissertação em formato de artigos ou dissertação por publicação.
Nesse formato, em vez de um texto único e contínuo, a dissertação é composta por dois ou três artigos científicos, precedidos de uma introdução geral e seguidos de uma conclusão integradora.
A vantagem é que você sai do mestrado com trabalhos publicáveis (ou já publicados). A desvantagem é que a articulação entre os artigos precisa ser cuidadosa para que o conjunto forme um todo coerente.
Se o seu programa permite esse formato, verifique os requisitos específicos: número mínimo de artigos, se precisam estar publicados ou apenas submetidos, quem são os coautores aceitos.
Quanto tempo leva para escrever uma dissertação?
Não existe resposta única. Depende da área, da complexidade da pesquisa, da quantidade de dados a analisar, da fluência do pesquisador em escrita acadêmica, da disponibilidade de tempo e da qualidade da orientação.
Uma estimativa comum, para quem está em dedicação parcial ao mestrado, é que a escrita completa da dissertação leva de seis meses a um ano. Mas há casos de escrita mais rápida e casos que se estendem muito além disso.
O Método V.O.E. é uma metodologia de escrita acadêmica que ajuda justamente a organizar a produção de texto de forma consistente, sem depender de “estar inspirado” ou de blocos grandes de tempo. Se você está na fase de escrita da dissertação e quer uma abordagem estruturada, vale conhecer: /metodo-voe.
Antes de entregar: revisão final da dissertação
Antes de depositar a dissertação para a defesa, existe uma revisão final que vai além da correção ortográfica. Aqui estão os pontos que a maioria dos mestrandos esquece de checar:
Coerência interna. O problema de pesquisa apresentado na introdução é realmente o que foi investigado? Os objetivos foram todos atendidos nos resultados? As conclusões dialogam com os objetivos?
Consistência das referências. Toda citação no texto tem referência correspondente? Toda referência na lista final foi citada no texto? Os sobrenomes dos autores estão grafados da mesma forma em todas as ocorrências?
Elementos pré-textuais. O resumo em português e em inglês cobrem todos os elementos exigidos (objetivos, método, resultados, conclusão)? O sumário está atualizado com as páginas corretas?
Formatação conforme as normas. Margens, espaçamento, tamanho de fonte, formatação das citações diretas longas, numeração de páginas, formatação das figuras e tabelas. Verifique item por item conforme as normas do seu programa.
Revisão do texto por alguém de fora. Um revisor externo, mesmo que não seja da área, consegue identificar frases confusas, parágrafos desconexos e ambiguidades que o autor não consegue mais enxergar depois de meses lendo o mesmo texto.
A defesa da dissertação é um momento formal e importante, mas ela não é o fim do processo de aprendizagem que o mestrado representa. Cada dissertação que você escreve e defende muda a forma como você lê e produz conhecimento.
Para recursos complementares sobre escrita acadêmica e gestão da pesquisa, explore: /recursos.