Frases para Artigo Científico: Quais Realmente Ajudam
Aprenda quais frases conectoras e expressões de transição realmente funcionam na escrita científica e por que algumas delas enfraquecem seus argumentos.
A frase certa no lugar errado não ajuda ninguém
Olha só. Você já recebeu um comentário da banca ou do revisor dizendo que o texto “falta coesão” ou que os parágrafos não se conectam? É frustrante porque você acha que usou todos os conectores certos: “Portanto”, “Além disso”, “Nesse sentido”, “Dessa forma”.
O problema raramente é falta de frases. É que as frases estão nos lugares errados, anunciando relações que o texto não sustenta.
Frases úteis para artigo científico são expressões que sinalizam a relação lógica entre ideias. Não são enfeites de parágrafo. Cada conector que você usa faz uma promessa ao leitor sobre o que vem a seguir. “Portanto” promete conclusão. “No entanto” promete contraste. “Além disso” promete adição de argumento. Quando o texto que segue não cumpre essa promessa, a coesão quebra, independente de quantas frases você tenha usado.
Por que listas de “frases úteis” geralmente não funcionam
Existe um tipo de recurso que circula bastante em grupos de pesquisadoras: listas de “50 frases para usar no seu artigo”, divididas por seção. Introdução, metodologia, resultados, discussão. Para cada seção, vinte frases prontas.
O problema com esse formato é que ele parte da premissa errada. Ele pressupõe que a dificuldade de escrever é falta de vocabulário. Na maioria das vezes, não é. A dificuldade é de estrutura argumentativa. Quando você não sabe exatamente o que o parágrafo precisa dizer, nenhuma frase pronta resolve.
Pior: a leitura dessas listas muitas vezes cria um hábito de preencher texto com conectores sem pensar na função deles. O resultado é um artigo com muita formalidade aparente e pouca articulação real.
O que vale entender antes de qualquer frase
Antes de pensar em frases, vale entender a função de cada parte do parágrafo científico. Um parágrafo típico em artigo tem uma frase de abertura que apresenta a ideia principal, um desenvolvimento que explica ou evidencia essa ideia, e uma frase de fechamento que fecha o argumento ou faz ponte com o próximo.
O conector serve para sinalizar a relação entre parágrafos ou entre sentenças dentro de um parágrafo. Ele funciona quando há uma relação real ali. Quando você precisa de um conector para salvar uma transição que não faz sentido, o problema não é o conector: é que os dois parágrafos provavelmente precisam de revisão estrutural.
Faz sentido?
Frases que realmente cumprem função
Com essa base, algumas expressões têm usos claros e funcionam bem quando a relação lógica é genuína.
Para apresentar evidência que suporta o argumento: “Os dados indicam que”, “Os resultados mostram que”, “Conforme apontam [autor, ano]”. Essas frases funcionam porque são diretas sobre o que estão fazendo. Elas introduzem evidência. Se não tem evidência logo depois, estão erradas.
Para contrastar ou qualificar: “No entanto”, “Por outro lado”, “Embora X, Y”. São conectores adversativos que prometem tensão entre ideias. Use quando houver tensão real. Usar “No entanto” para introduzir uma informação que simplesmente acrescenta, sem contraste real, confunde o leitor sobre a estrutura do argumento.
Para concluir ou sintetizar: “Portanto”, “Assim”, “Em síntese”, “Diante do exposto”. Esses funcionam quando há uma conclusão sendo tirada de algo que veio antes. Se você os usa no meio de um parágrafo para parecer formal, o efeito é o oposto: parece que você concluiu algo antes de apresentar o argumento completo.
Para adicionar argumento: “Além disso”, “Adicionalmente”, “Outro aspecto relevante é”. Esses são os mais usados e também os mais abusados. Eles funcionam quando você está de fato adicionando um argumento novo, não quando está repetindo o mesmo argumento com outras palavras.
Frases que parecem ajudar mas enfraquecem o texto
Algumas expressões circulam como “frases científicas” mas na prática enfraquecem o argumento.
“É importante ressaltar que” e “Vale destacar que” são exemplos clássicos. Elas prometem que algo importante vem aí. O problema é que se o que vem a seguir é importante, o texto vai mostrar isso por si mesmo. Usar o anúncio é sinal de que você não confia no argumento. Além disso, quando tudo é “importante ressaltar”, nada é.
“No contexto atual” e “na contemporaneidade” parecem situar o texto historicamente, mas raramente fazem isso de forma precisa. Se o contexto atual é relevante, especifique qual aspecto do contexto atual e por quê. A generalidade dessas expressões sinaliza raciocínio vago.
“Cabe mencionar que” é uma forma de introduzir informação como se fosse secundária quando na verdade você quer que o leitor a tome a sério. Se cabe mencionar, menciona. Se é relevante, apresenta como relevante.
Como o Método V.O.E. trata a questão das frases
Na fase de Organizar do Método V.O.E. (Visualizar, Organizar, Escrever), você mapeia a estrutura argumentativa antes de escrever. Isso inclui identificar que relação cada parágrafo tem com o anterior: ele contrasta? Adiciona? Exemplifica? Conclui?
Quando você sabe a resposta para essa pergunta antes de escrever, o conector certo aparece naturalmente. Você não precisa de uma lista porque está pensando na lógica, não no vocabulário. A frase certa é consequência de ter a relação clara, não a causa dela.
É por isso que a Nathalia insiste tanto na etapa de Organizar antes de sentar para escrever. A maioria das dificuldades de coesão que aparecem no texto são sintomas de estrutura argumentativa que ainda não estava resolvida quando a escrita começou. Mais sobre essa abordagem em Método V.O.E..
Frases para cada seção do artigo: o que realmente importa
Cada seção tem convenções linguísticas específicas que valem conhecer. Não como lista de frases para copiar, mas como repertório de padrões.
Na Introdução, o movimento típico é de geral para específico: contextualizar o problema, mostrar a lacuna na literatura, apresentar o objetivo do estudo. As frases que aparecem nesse contexto costumam ser de enquadramento (“Este estudo investiga”, “O objetivo deste artigo é”, “Estudos anteriores demonstraram que”).
Na Metodologia, a precisão é mais importante do que a sofisticação. “Os dados foram coletados por meio de”, “A análise seguiu o protocolo de”, “Os critérios de inclusão foram”. A voz passiva aqui tem função: ela retira o sujeito do centro e coloca o procedimento em foco, o que é adequado para descrever método de forma objetiva.
Na Discussão, as frases de comparação e interpretação ganham peso. “Em linha com os achados de [autor, ano]”, “Diferentemente do que foi observado por”, “Esses resultados sugerem que”. A função é conectar o que você encontrou com o que a literatura mostra. É onde a sua voz analítica aparece mais.
O que fica
Frases úteis para artigo científico não são mágica de coesão. São sinalizadores de relação lógica. Funcionam quando a relação existe no argumento. Não funcionam quando estão cobrindo uma estrutura que ainda não está clara.
Se você está usando muitos conectores e o texto ainda não flui, o diagnóstico mais honesto é: a estrutura argumentativa precisa de revisão. Não a lista de frases.
Tem uma diferença entre escrever com dificuldade porque falta vocabulário e escrever com dificuldade porque a ideia ainda não está suficientemente clara. A segunda situação é muito mais comum. E para essa situação, nenhum banco de frases resolve. O que resolve é clareza sobre o que você quer argumentar.
O investimento que faz mais diferença é entender o que cada parágrafo precisa fazer antes de escrever. Quando você sabe se o parágrafo está apresentando evidência, contrastando, concluindo ou exemplificando, a frase de abertura certa aparece sem esforço. O texto flui porque tem estrutura, não porque tem vocabulário sofisticado.
Pra ir mais fundo nisso, os recursos disponíveis têm material sobre escrita e revisão de artigos científicos.
Perguntas frequentes
Quais são as melhores frases para iniciar um parágrafo científico?
Como conectar parágrafos em um artigo científico?
Devo usar frases em inglês no artigo científico em português?
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