Mestrado em Administração: vale a pena fazer?
Fazer mestrado em Administração é uma decisão que merece análise séria. Entenda quando vale, quando não vale e o que diferencia o acadêmico do profissional.
Mestrado em Administração: antes de decidir, entenda o que você está entrando
Olha só: poucos campos têm tanta oferta e ao mesmo tempo tanta confusão sobre o que cada título significa quanto a Administração. MBA, mestrado profissional, mestrado acadêmico, especializações lato sensu chamadas de “master”, pós-graduação stricto sensu. Se você está pesquisando sobre mestrado em Administração, provavelmente já se perdeu nessa sopa de siglas.
Então vamos começar do começo: o que você está chamando de mestrado é, de fato, um mestrado stricto sensu reconhecido pelo MEC? Porque a resposta para “vale a pena?” muda completamente dependendo disso.
Mestrado stricto sensu vs. MBA: não é a mesma coisa
O mestrado em Administração reconhecido pela CAPES é um programa stricto sensu, acadêmico ou profissional, que resulta no título de mestre e que tem avaliação periódica do Ministério da Educação. Esses programas aparecem na Plataforma Sucupira.
O MBA, seja o da FGV, da Insper, de escolas internacionais ou de mil outras instituições, é uma especialização lato sensu. Tem enorme reputação no mercado corporativo, abre portas em grandes empresas e consultorias, mas não equivale a um mestrado. Não gera título de mestre, não qualifica para docência em nível stricto sensu, não serve como pré-requisito para doutorado.
Isso não é hierarquia de valor, é diferença de propósito. Um MBA bem escolhido pode valer muito mais para uma carreira corporativa do que um mestrado acadêmico. Mas são instrumentos diferentes para objetivos diferentes.
Faz sentido? Então, quando a pergunta for “vale a pena fazer mestrado em Administração?”, a primeira coisa a clarificar é: mestrado para quê?
Quando o mestrado acadêmico em Administração vale a pena
O mestrado acadêmico faz sentido quando você tem interesse genuíno em pesquisa e carreira acadêmica, quando quer fazer doutorado depois e precisa do título de mestre como pré-requisito, quando quer trabalhar em institutos de pesquisa, organismos internacionais ou centros de policy que valorizam formação stricto sensu, ou quando seu setor tem cultura de valorizar pesquisa aplicada, como saúde, tecnologia e políticas públicas.
O mestrado acadêmico exige dedicação. Na maioria dos programas bem avaliados, é praticamente impossível conciliar com emprego de 40 horas semanais. A lógica é produção de pesquisa: você precisa frequentar disciplinas, participar de grupos de pesquisa, publicar artigos e escrever uma dissertação com contribuição teórica original.
Se você está fazendo o mestrado acadêmico sem bolsa e sem nenhum plano de usar o título para pesquisa ou docência, é honesto perguntar se o custo de oportunidade vale.
Quando o mestrado profissional em Administração faz sentido
O mestrado profissional é a modalidade que cresceu mais na última década, especialmente em Administração. E com razão: ele foi desenhado para quem está trabalhando e quer formação avançada com aplicação prática.
Ele costuma ser noturno ou no formato intensivo de fins de semana, o que permite manter o emprego. O produto final é frequentemente um caso, projeto aplicado ou plano de negócio, não uma dissertação teórica tradicional. As disciplinas têm foco em metodologia aplicada, análise de dados para tomada de decisão e resolução de problemas reais.
O mestrado profissional em Administração faz sentido para quem quer avançar em cargos de gestão que exigem esse nível de qualificação, para quem quer lecionar em cursos de graduação ou especialização (o mestrado stricto sensu, mesmo profissional, é requisito para muitas posições docentes), e para quem quer fazer transição para pesquisa aplicada em organizações que valorizam o título.
Ele não substitui o MBA para quem quer networking corporativo ou a reputação de uma grande escola de negócios. São diferentes.
O que a banca e o mercado realmente valorizam
Uma coisa que pouca gente faz antes de entrar no mestrado é pesquisar o que os profissionais nos cargos que almejam têm no currículo. Isso é mais informativo do que qualquer análise genérica.
Se você quer seguir carreira em consultoria estratégica das grandes firmas, o MBA de escola de prestígio tem muito mais peso do que mestrado acadêmico em Administração. Se você quer trabalhar em banco de desenvolvimento ou organismo internacional, o mestrado stricto sensu, especialmente com publicações, abre portas que o MBA não abre da mesma forma. Se você quer lecionar em universidade federal, precisará de mestrado e, em breve, de doutorado.
Pesquise vagas reais nos sites das empresas e instituições que você quer. Veja o que aparece em “requisitos”. Converse com pessoas que já estão nos cargos que você quer. Essa pesquisa direta vale mais do que qualquer análise de ranking ou de “o que o mercado valoriza” em geral.
Qualidade dos programas importa muito
Em Administração, a variação de qualidade entre programas é enorme. Um programa com nota 6 ou 7 na avaliação CAPES tem corpo docente diferente, produção científica diferente e rede de contatos diferente de um programa com nota 3.
A nota do programa não é vaidade acadêmica: reflete pesquisa produzida, qualidade das dissertações, publicações em periódicos qualificados e inserção internacional. Para quem vai usar o título para carreira acadêmica, isso importa muito.
Para pesquisar programas, a Plataforma Sucupira (sucupira.capes.gov.br) tem a listagem completa com notas. Qualis-periódicos e produção do corpo docente ficam disponíveis também.
Outra fonte relevante para quem está mapeando opções é a página de recursos do blog, com links para portais de editais e informações sobre pós-graduação.
O custo real do mestrado em Administração
Mesmo nos programas públicos, onde a mensalidade é zero, o mestrado tem custo. Custo de oportunidade do tempo, especialmente se você abre mão de promoções ou projetos durante o período. Custo de vida se você precisar mudar de cidade para o programa. Custo emocional da pressão acadêmica, dos prazos, das incertezas sobre produção.
No mestrado profissional pago, as mensalidades variam bastante. Pesquise o custo total do programa, não apenas a mensalidade mensal.
O que o Método V.O.E. coloca de forma muito direta é: clareza de propósito é o recurso mais raro e mais valioso antes de qualquer decisão de carreira acadêmica. Não “vale a pena em geral”, mas “vale a pena para onde eu quero chegar e o que quero construir?”
Quando essa clareza existe, a decisão de fazer ou não o mestrado em Administração fica muito mais simples.
O que considerar antes de se candidatar
Se você chegou até aqui e a resposta para o seu contexto é “sim, vale a pena”, alguns passos práticos antes da candidatura.
Primeiro, defina se é acadêmico ou profissional. Essa decisão orienta tudo: quais programas pesquisar, qual perfil de orientador buscar, como escrever o projeto.
Segundo, pesquise orientadores antes de programas. O orientador vai influenciar mais a sua experiência e seu desenvolvimento do que o nome da instituição. Leia produções recentes, veja linhas de pesquisa ativas e tente conversar com quem já foi orientado por quem você está considerando.
Terceiro, prepare o projeto de pesquisa com seriedade. A proposta é avaliada nos processos seletivos dos melhores programas. Um projeto genérico ou copiado de introdução de artigo vai ficar evidente para a banca.
Quarto, seja honesto com seus objetivos. O mestrado em Administração certo, pelo motivo certo, pode ser uma das melhores decisões da sua carreira. O mestrado errado, pelo motivo errado, é dois ou três anos que custam muito e entregam pouco.