NBR 6023 Atualizada: O Que Mudou nas Referências ABNT
Entenda as principais mudanças da NBR 6023 atualizada para referências bibliográficas e como formatar corretamente artigos, livros e sites na ABNT.
A norma que todo mundo usa e quase ninguém leu de verdade
Vamos lá. Você está formatando as referências do seu TCC, dissertação ou tese e abre o documento da ABNT. É denso, técnico, cheio de casos específicos. Você fecha e vai tentar adivinhar pela referência de outra pessoa.
A NBR 6023 é a norma da Associação Brasileira de Normas Técnicas que estabelece como elaborar referências bibliográficas em trabalhos acadêmicos. Ela define a ordem dos elementos (autor, título, local, editora, data, entre outros), a pontuação usada para separar cada elemento, e o tratamento de casos específicos como obras sem autor identificado, documentos online, entidades governamentais como autoras e trabalhos no prelo.
Entender a lógica da norma é mais útil do que tentar memorizar todos os casos. Quando você entende o que cada elemento da referência está comunicando, consegue resolver casos novos sem precisar consultar um tutorial para cada tipo de fonte.
O que a NBR 6023 regula e o que ela não regula
A norma regula a lista de referências ao final do trabalho, aquela seção onde você lista todas as fontes que consultou. Ela não regula as citações no corpo do texto. Para isso existe a NBR 10520, que trata de como fazer citações diretas, indiretas e de citação de citação dentro do texto.
As duas normas andam juntas. Quando você cita um autor no texto usando SOBRENOME, ano, está seguindo a NBR 10520. Quando você coloca a referência completa dessa obra na lista ao final, está seguindo a NBR 6023.
Confundir as duas é um erro frequente. A referência completa não vai no corpo do texto, ela vai na lista. No corpo do texto vai só a chamada resumida da citação.
Os elementos básicos de uma referência
Toda referência é construída com elementos essenciais e elementos complementares. Os essenciais são os que você não pode omitir porque sem eles o leitor não consegue identificar e localizar a obra. Os complementares acrescentam informação útil mas não são obrigatórios.
Para um livro, os elementos essenciais são: autor, título, edição (quando houver mais de uma), local de publicação, editora e ano. Para um artigo de periódico, são: autor, título do artigo, título do periódico, volume, número, páginas e ano. Para um documento online, acrescenta-se a URL e a data de acesso.
A ordem dos elementos e a pontuação que separa cada um seguem um padrão definido. Ponto após o sobrenome do autor, vírgula antes do nome, ponto após o título, dois pontos após o local de publicação, vírgula antes do ano. Esses detalhes de pontuação parecem arbitrários mas são os que a norma define, e bancas examinadoras cobram.
Como referenciar artigo científico com DOI
O DOI (Digital Object Identifier) é o identificador permanente de documentos digitais. A NBR 6023 atual inclui orientações sobre como incorporá-lo às referências de artigos.
Quando o artigo tem DOI, ele deve ser incluído no final da referência, após os dados de paginação. O formato é: Disponível em: https://doi.org/XXXXXXXX. O DOI substitui a URL da página onde o artigo está hospedado porque é permanente, enquanto a URL pode mudar.
Se o artigo não tem DOI mas está disponível online, inclua a URL e a data de acesso no formato: Disponível em: [URL]. Acesso em: dia mês abreviado. ano.
Para artigos em formato impresso sem versão digital, nenhum desses elementos é necessário. A referência termina com a paginação.
Como referenciar documentos sem autoria pessoal identificada
Nem todo documento tem um autor pessoa física identificável. Legislações, normas técnicas, relatórios institucionais, notícias sem assinatura e enciclopédias são exemplos de fontes onde a autoria é institucional ou ausente.
Quando a autoria é de uma entidade, como uma lei federal, o Ministério da Saúde ou a ABNT, a entidade entra no lugar do autor, com o nome em caixa alta. Quando não há nenhuma autoria identificada, a referência começa pelo título do documento com a primeira palavra em caixa alta.
Esse ponto gera muita confusão porque vai contra o reflexo de procurar um nome de pessoa para preencher o campo de autor. Se não tem autor, não tem. A norma prevê esse caso.
Como referenciar tese, dissertação e TCC
Trabalhos acadêmicos são um tipo de fonte que pesquisadoras citam com frequência, especialmente para mostrar como a literatura nacional tratou um tema. A referência segue um formato específico.
Os elementos são: autor, título do trabalho, ano de defesa, tipo de trabalho (Tese, Dissertação ou Trabalho de Conclusão de Curso), nível (Doutorado, Mestrado, Graduação), nome do programa, instituição, local e ano. Se o trabalho está disponível online, acrescenta-se a URL e data de acesso.
A diferença em relação a livros está no campo que identifica o tipo de trabalho e a instituição. Um livro publicado por uma editora tem o nome da editora. Uma tese tem o programa de pós-graduação e a universidade que a recebeu. Esses elementos substituem a editora no contexto da referência.
Como referenciar legislação e documentos governamentais
Leis, decretos, portarias, resoluções e outros documentos oficiais são fontes frequentes em áreas como direito, saúde pública, educação e políticas públicas. A lógica de referenciação é diferente dos documentos autorais.
A entidade governamental entra no campo de autoria, em caixa alta: BRASIL, SÃO PAULO (estado), BRASIL. Ministério da Saúde. O título do documento é o nome oficial com número e data: Lei nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996. Depois vêm a ementa (o que a lei dispõe), o local de publicação, o veículo de publicação oficial (Diário Oficial da União, por exemplo), a data de publicação e, para versões online, a URL e data de acesso.
Legislação que você consultou exclusivamente online precisa de data de acesso porque o texto pode ser alterado por emendas posteriores. Registrar quando você consultou é parte da rastreabilidade da fonte.
Dicas práticas para organizar suas referências
Uma prática que economiza muito tempo é registrar a referência completa de cada fonte no momento em que você a consulta, não depois. Guardar a URL não é suficiente. URL muda. Guarde autor, título, periódico, volume, número, páginas, ano e DOI no momento da leitura.
Gestores de referências como Zotero e Mendeley automatizam parte desse trabalho. Eles capturam os metadados da fonte e geram a referência formatada. Mas o resultado precisa ser revisado porque os dados nas bases nem sempre estão completos ou corretos.
Quando a banca corrige um trabalho por erros de referência, raramente é porque a norma é difícil de entender. É porque as referências foram montadas no aperto de prazo, sem atenção aos detalhes de pontuação e ordem dos elementos. Reservar tempo específico para formatar e revisar as referências antes da entrega é uma estratégia simples que evita uma categoria inteira de problema.
Dentro da fase de Organização do Método V.O.E. (Velocidade, Organização, Execução Inteligente), a gestão de referências faz parte da organização do material de pesquisa. Não deixe pra última hora o que pode ser construído ao longo do processo. Cada fonte que você lê e registra corretamente no momento certo é uma referência a menos pra correr atrás na véspera da entrega.
Referências corretas não são detalhe burocrático. Elas são parte da rastreabilidade científica do seu trabalho. Qualquer leitor que queira verificar o que você afirma deve conseguir chegar até a fonte que você usou. Quando a referência está incompleta ou incorreta, essa rastreabilidade quebra, e a solidez do seu argumento fica comprometida junto. Dominar a NBR 6023 é, nesse sentido, uma questão de integridade científica, não apenas de cumprimento de norma editorial.
Perguntas frequentes
O que é a NBR 6023 e para que serve?
Qual a diferença entre a NBR 6023 e a NBR 10520?
Como referenciar site pela NBR 6023?
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