Método

PRISMA 2020 para Revisão Sistemática: Checklist

Entenda o PRISMA 2020: o que é, quais são os itens do checklist atualizado, como usar o fluxograma, e por que ele é exigido nas revisões sistemáticas publicadas.

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Por que o PRISMA importa para revisões sistemáticas

Vamos lá. Se você está fazendo uma revisão sistemática e planeja publicá-la, submeter a um periódico, ou apresentar numa banca, você vai ouvir falar em PRISMA. É uma das diretrizes metodológicas mais citadas na área da saúde e em crescimento nas ciências humanas e sociais.

A questão é que muita gente cita o PRISMA sem entender para que ele serve de fato. O resultado são trabalhos que afirmam seguir o PRISMA mas apresentam fluxogramas incompletos, checklists não preenchidos, ou itens ausentes que os revisores vão apontar na submissão.

Aqui vou explicar o que o PRISMA 2020 é, o que mudou em relação à versão anterior, e o que você precisa saber para usá-lo corretamente.

O que é o PRISMA e de onde ele veio

O PRISMA é um conjunto de diretrizes para o relato de revisões sistemáticas e meta-análises. Foi desenvolvido originalmente em 2009 por um grupo internacional de pesquisadores preocupados com a falta de padronização e transparência no relato dessas metodologias.

A ideia central é simples: revisões sistemáticas são, por definição, reprodutíveis. Um pesquisador diferente, seguindo o mesmo protocolo, deveria chegar a resultados semelhantes. Para que isso seja possível, o relato precisa ser suficientemente detalhado para que qualquer leitor entenda e, se necessário, replique o que foi feito.

O PRISMA oferece um checklist com itens que cobrem todas as etapas de uma revisão sistemática: desde o título e resumo até a síntese e interpretação dos resultados. Ele não diz como fazer a revisão. Ele diz o que precisa estar relatado.

O que mudou no PRISMA 2020

A versão de 2020 foi publicada na revista BMJ e simultaneamente em outros periódicos de saúde. A atualização respondeu a limitações da versão de 2009 que tinham sido identificadas ao longo de uma década de uso.

As mudanças mais significativas incluem o fluxograma revisado, que agora distingue entre estudos identificados em bases de dados eletrônicas, registros de ensaios clínicos, pesquisas em referências de outros estudos, e busca em sites. A versão de 2009 tratava todas as fontes de forma mais homogênea.

O checklist de 2020 também inclui itens sobre declaração de protocolo prospectivo (se você registrou o protocolo da revisão antes de começar), avaliação de certeza da evidência (usando abordagens como GRADE), e considerações sobre equidade e aplicabilidade dos resultados.

Alguns itens foram simplificados ou reorganizados. O número de itens permanece 27, mas com conteúdo atualizado.

O fluxograma PRISMA 2020: o que ele deve mostrar

O fluxograma é o elemento mais visível do PRISMA. É o que aparece como figura nos artigos e o que muitas bancas pedem para verificar se a busca foi conduzida adequadamente.

O fluxograma 2020 tem quatro etapas principais: identificação, triagem, elegibilidade e inclusão.

Identificação. Quantos registros foram identificados em cada fonte? Base de dados, registros de ensaios, outras fontes. Quantos eram duplicatas? Quantos foram excluídos antes da triagem por outros motivos?

Triagem. Quantos registros foram triados por título e resumo? Quantos foram excluídos nessa fase e por quê (critérios de exclusão)?

Elegibilidade. Quantos textos completos foram avaliados para elegibilidade? Quantos foram excluídos após leitura do texto completo e por quais motivos?

Inclusão. Quantos estudos foram incluídos na síntese? Se for meta-análise, quantos entraram na análise quantitativa?

Cada número no fluxograma precisa ser justificável. Se você colocar 250 registros identificados em PubMed e 180 excluídos na triagem, o leitor vai querer saber os critérios de exclusão aplicados nessa etapa.

Como usar o checklist na prática

O checklist PRISMA 2020 tem uma coluna para o número do item, uma para a descrição do que deve ser relatado, e uma para você indicar em qual página do seu artigo ou trabalho esse item aparece.

O preenchimento correto do checklist não é uma formalidade: é uma verificação de que seu relato inclui tudo o que é necessário para que a revisão seja transparente e reprodutível.

Para dissertações e teses, alguns orientadores e bancas pedem o checklist como anexo. Para submissões a periódicos, muitos exigem o checklist preenchido como documento suplementar.

O checklist completo está disponível no site oficial do PRISMA (prisma-statement.org), com versões em português. Antes de qualquer submissão, baixar a versão mais atual diretamente da fonte é mais seguro do que usar versões adaptadas ou traduções não oficiais.

Quando usar PRISMA e quando não usar

PRISMA é para revisões sistemáticas. Não para revisões narrativas ou revisões de escopo (scoping reviews), mesmo que essas revisões sejam abrangentes e organizadas.

Para scoping reviews, existe o PRISMA-ScR (extensão para revisões de escopo), publicado em 2018. Para protocolos de revisão (quando você publica o protocolo antes de executar a revisão), existe o PRISMA-P. Existem também extensões para redes de meta-análise, diagnóstico, acupuntura, e outros contextos específicos.

Usar PRISMA para uma revisão que não é sistemática é um erro metodológico que revisores vão identificar. Citar PRISMA no método e apresentar um processo de busca que não segue os critérios de uma revisão sistemática é uma inconsistência que vai aparecer na avaliação do trabalho.

O que diferencia uma revisão sistemática de uma revisão de literatura

Esse ponto de confusão é frequente e vale abordar diretamente.

Uma revisão sistemática segue um protocolo prospectivo, com critérios de inclusão e exclusão definidos antes da busca, estratégias de busca replicáveis, e avaliação formal da qualidade dos estudos incluídos. O objetivo é minimizar vieses na seleção e síntese da evidência.

Uma revisão de literatura é mais flexível. Você escolhe os autores e trabalhos que julga relevantes para o seu tema, sem a mesma formalidade metodológica. Ela pode ser muito boa e muito rigorosa, mas não é sistemática no sentido técnico do termo.

A distinção importa porque os critérios de qualidade são diferentes. Uma revisão de literatura não é inferior por não ser sistemática. São metodologias diferentes para perguntas diferentes.

Se sua pergunta de pesquisa permite síntese da evidência de múltiplos estudos sobre um efeito ou fenômeno mensurável, revisão sistemática faz sentido. Se sua pergunta é mais exploratória ou teórica, revisão de literatura pode ser mais adequada.

Para quem está decidindo qual metodologia usar para o capítulo de revisão da dissertação, os recursos do blog têm materiais que discutem as diferenças práticas entre essas abordagens, inclusive com exemplos de como cada tipo de revisão funciona em diferentes áreas do conhecimento.

Erros frequentes no uso do PRISMA que revisores apontam

Depois de entender o que o PRISMA é e para que serve, vale conhecer os erros mais comuns que aparecem quando ele é mal aplicado.

Fluxograma sem números reais. Colocar o modelo de fluxograma sem preencher os números de cada etapa. O fluxograma precisa mostrar os números da sua busca específica, não o template genérico.

Divergência entre fluxograma e texto. O número de estudos incluídos no fluxograma precisa coincidir com o número na seção de resultados. Inconsistências nesse ponto são identificadas imediatamente pelos revisores.

Critérios de exclusão não documentados. O fluxograma mostra quantos estudos foram excluídos na triagem, mas o método não apresenta os critérios de exclusão que fundamentaram essas decisões. Isso invalida a reprodutibilidade da busca.

Citar PRISMA 2009 para revisões publicadas depois de 2020. A versão atual é de 2020. Para trabalhos novos, citar a versão desatualizada pode sinalizar que você não acompanhou as atualizações da metodologia.

Usar PRISMA sem registro de protocolo. A versão de 2020 inclui item específico sobre registro prospectivo do protocolo em plataformas como PROSPERO. Para revisões que pretendem publicação em periódicos exigentes, registrar o protocolo antes de começar a busca é uma prática cada vez mais esperada.

Conhecer esses erros antes de começar poupa tempo e retrabalho depois.

Perguntas frequentes

O que é o PRISMA 2020 e para que serve?
PRISMA (Preferred Reporting Items for Systematic Reviews and Meta-Analyses) é uma diretriz para relato de revisões sistemáticas e meta-análises. A versão de 2020 atualizou o checklist de 27 itens da versão anterior (2009) para 27 itens revisados, com novo fluxograma que inclui registros de bases de dados, sites e estudos de outras fontes. É usada por periódicos para avaliar a qualidade do relato de revisões sistemáticas.
Sou obrigado a usar o PRISMA na minha revisão sistemática?
Depende do periódico ou programa. Muitos periódicos internacionais e alguns nacionais exigem o PRISMA como condição de submissão. Para dissertações e teses, a exigência varia por programa e orientador. Mesmo quando não é obrigatório, usar o PRISMA sinaliza rigor metodológico e facilita a replicação do seu protocolo.
Qual a diferença entre PRISMA 2009 e PRISMA 2020?
A versão de 2020 introduziu itens novos ou modificados em relação a 2009. As principais mudanças incluem: distinção entre registros identificados em bases de dados e em outras fontes no fluxograma, orientações para revisões que atualizam estudos anteriores, novos itens sobre avaliação de certeza da evidência e considerações de equidade, e simplificação de outros itens da lista de verificação.
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