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Referência de Reportagem ABNT: Como Fazer Corretamente

Saiba como formatar referência de reportagem de jornal conforme NBR 6023:2018, com exemplos para impresso, online e sem autoria identificada.

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Por que a referência de reportagem trava tanta pesquisadora?

Por que uma pesquisadora que sabe de cor o formato de referência para livro e artigo científico trava quando precisa citar uma reportagem de jornal?

Referência de reportagem de jornal é o registro bibliográfico de um texto jornalístico publicado em veículo de imprensa, impresso ou digital, estruturado conforme as normas da ABNT NBR 6023:2018. A lógica não muda em relação às outras referências: identificar a fonte de modo único e suficiente para que qualquer pessoa possa encontrá-la. O que muda são os elementos que cumprem essa função no caso do jornal.

O problema é que muitos manuais de metodologia focam nas fontes acadêmicas e tratam a citação de jornais como exceção, quase uma nota de rodapé. Quando chega a hora de citar o Folha, o Estadão ou um portal de notícias, a pesquisadora improvisa e comete erros que a banca vai encontrar.

Este post explica a lógica por trás do formato, os elementos obrigatórios e os casos especiais que aparecem com mais frequência na prática.

O que diferencia o jornal de outras fontes

Antes de entrar no formato, vale entender por que a referência de jornal tem estrutura diferente da de periódico científico.

Artigos científicos são identificados por volume, número de edição e, cada vez mais, por DOI. Esses elementos existem porque periódicos científicos têm indexação sistemática: cada número é rastreável em bases de dados como Scopus, Web of Science e PubMed.

Jornais funcionam de outro modo. A identificação se dá pela data completa (dia, mês e ano) e pelo nome do caderno ou seção, não por volume ou número. A página é relevante para versões impressas. Para versões online, o endereço eletrônico e a data de acesso cumprem o papel de localização.

Entender essa diferença ajuda a não forçar o formato de periódico numa fonte jornalística. Cada tipo de fonte tem sua lógica própria. O formato correto não é arbitrário: ele reflete como aquela fonte é organizada e como pode ser recuperada.

Estrutura para reportagem impressa

Conforme a NBR 6023:2018, o formato básico para reportagem em jornal impresso é:

SOBRENOME, Nome. Título da reportagem. Nome do jornal, local, dia mês abreviado. ano. Caderno ou seção, página.

Alguns pontos que costumam gerar dúvida:

Autoria: segue a mesma lógica das demais referências. Sobrenome em maiúsculas, vírgula, nome completo ou iniciais conforme o estilo adotado. Quando há dois ou três autores, todos são listados separados por ponto e vírgula. Quando há quatro ou mais, usa-se o primeiro seguido de “et al.”

Nome do jornal: em itálico, como os títulos de periódicos científicos. O artigo definido que eventualmente integra o nome coloquial do veículo não vai em maiúsculas se não faz parte do nome oficial do veículo.

Local: cidade de publicação, seguida de vírgula antes da data. Em casos em que o local não aparece no veículo, indica-se “[S.l.]” (sine loco).

Data: dia, mês abreviado e ano. Diferentemente do livro, onde só o ano costuma aparecer, aqui a data completa é necessária porque dois textos diferentes podem ter sido publicados no mesmo jornal em datas distintas. Sem essa precisão, a referência não identifica a fonte de modo único.

Caderno e página: o nome do caderno ou seção ajuda a localizar a reportagem dentro do exemplar. A página vem logo depois. Em jornais com muitos cadernos, essa informação é particularmente importante para quem vai verificar a fonte.

Estrutura para reportagem online

A versão online tem os mesmos elementos iniciais (autoria, título, nome do jornal, local, data), com dois acréscimos ao final:

  • Endereço eletrônico completo (URL), precedido de “Disponível em:”
  • Data de acesso, no formato “Acesso em: dia mês. ano.”

O endereço vai no final da referência, sem ponto após a URL. A data de acesso vem logo depois, separada por ponto.

Esse é um ponto que gera confusão porque a NBR 6023:2018 trouxe ajustes em relação à versão de 2002. Na versão mais antiga, o formato de citação de fontes online era tratado de modo mais genérico. A versão de 2018 organizou melhor as especificidades de cada tipo de fonte digital.

Se você está usando um manual de metodologia mais antigo, vale verificar se ele já incorporou as atualizações da norma. Manuais desatualizados continuam circulando em muitos programas, e a banca notará a diferença.

Reportagem sem autoria identificada

Uma situação comum, especialmente em portais de notícias, é a reportagem sem assinatura. Nesse caso, a regra é simples: a referência começa pelo título da reportagem, que vai inteiramente em letras maiúsculas.

Isso garante que a referência seja ordenada alfabeticamente pelo título na lista final, já que não há sobrenome do autor para ser o elemento de entrada. A ordem alfabética da lista segue o primeiro elemento de cada referência: quando há autor, é o sobrenome; quando não há, é o título.

O restante da estrutura segue o mesmo padrão: nome do jornal em itálico, local, data, caderno ou seção, página (ou URL e data de acesso, no caso de fonte online).

Faz sentido? A lógica é sempre a mesma: o primeiro elemento da referência é o que permite identificar a fonte de modo único. Na ausência do autor, o título cumpre esse papel.

Erros mais comuns nas referências de reportagem

Depois de anos revisando trabalhos acadêmicos, percebo que os erros se repetem. Os mais frequentes:

Confundir o formato de livro com o de jornal. Colocar só o ano em vez da data completa (dia, mês, ano) é um erro recorrente. Em jornal, a data completa é obrigatória porque dois textos diferentes podem ter sido publicados no mesmo jornal em datas diferentes.

Omitir o caderno ou seção. Especialmente em jornais com muitos cadernos, essa informação é essencial para localizar a reportagem. Sem ela, a referência fica incompleta.

Não usar itálico no nome do jornal. O nome do veículo segue a mesma regra do título de periódico científico: itálico. É um erro de formatação que a banca nota.

Incluir URL encurtada ou de redirecionamento. A URL deve ser o endereço permanente do conteúdo, não um link encurtado de redes sociais ou endereço de rastreamento. Links encurtados mudam ou expiram, e quem for verificar a fonte não conseguirá acessá-la.

Esquecer a data de acesso para fontes online. Conteúdos digitais podem ser removidos, atualizados ou deslocados para áreas pagas. A data de acesso registra o momento em que o conteúdo estava disponível no endereço indicado. Sem ela, a referência não garante que quem verificar vai encontrar o mesmo texto.

Por que citar jornais na pesquisa acadêmica

Uma questão que aparece às vezes: por que citar uma reportagem de jornal num trabalho científico?

A resposta depende do uso que você está fazendo daquela fonte. Jornais são fontes primárias para pesquisas históricas, de comunicação, de análise de discurso e de sociologia da mídia. São fontes de dados empíricos sobre cobertura jornalística, enquadramentos noticiosos e circulação de narrativas.

Em outros contextos, como nas ciências exatas e da saúde, jornais raramente são fontes primárias, mas podem aparecer em introduções para contextualizar um problema social ou político ligado ao tema da pesquisa. Nesse caso, a reportagem funciona como evidência de relevância, não como fundamentação teórica.

A regra é direta: use a fonte que corresponde ao tipo de dado que você está buscando. Para dados sobre cobertura jornalística, o jornal é a fonte certa. Para dados sobre eficácia de um tratamento médico, não é.

Como organizar as referências jornalísticas na lista final

As referências de jornais ficam integradas à lista geral em ordem alfabética, não em seção separada. A ABNT não exige separação por tipo de fonte: livros, artigos, jornais e sites convivem na mesma lista, ordenados pelo sobrenome do autor ou pelo título quando não há autor identificado.

Para quem usa gerenciadores de referências como Zotero ou Mendeley: vale criar a referência com o tipo correto (“artigo de jornal” ou “newspaper article”) para que o gerador aplique o formato adequado automaticamente. Referências geradas automaticamente sem o tipo correto costumam sair no formato de livro ou artigo científico, o que resulta em referências erradas mesmo quando o conteúdo está correto.

O que não improvisar na lista de referências

Referência de reportagem não é mais complexa do que qualquer outra. Tem uma lógica interna, que é a de identificar a fonte de modo único e suficiente para que outra pessoa possa encontrá-la. Quando você entende essa lógica, o formato deixa de ser decoreba e vira raciocínio.

O que não funciona é improvisar porque parece próximo de outro formato. Cada tipo de fonte tem elementos específicos, e trocá-los resulta em referências tecnicamente erradas mesmo quando parecem razoáveis à primeira vista.

Se você está organizando as referências para o seu TCC, dissertação ou artigo e quer um método para decidir não só como formatar mas qual fonte usar para cada tipo de dado, o Método V.O.E. (Velocidade, Organização, Execução Inteligente) tem um módulo específico sobre organização de fontes. A etapa de Organização cobre a lógica de classificação de fontes por tipo e função no argumento, que é o passo anterior ao da formatação.

Perguntas frequentes

Como fazer referência de reportagem ABNT?
Para reportagem impressa, o formato é: SOBRENOME, Nome. Título da reportagem. Nome do jornal, local, dia mês. ano. Caderno ou seção, página. Para online, acrescenta-se o endereço eletrônico e a data de acesso ao final.
Como referenciar reportagem sem autor identificado em ABNT?
Quando não há autor identificado, a referência começa pelo título da reportagem em letras maiúsculas. O restante da estrutura segue o mesmo padrão: nome do jornal em itálico, local, data completa, caderno ou seção e página.
Qual a diferença entre referenciar artigo de periódico e reportagem de jornal em ABNT?
Artigo de periódico científico inclui volume, número de edição e DOI. Reportagem de jornal usa data completa (dia, mês, ano), nome do caderno e número de página, sem volume ou número de edição específico.

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