Método

TCC: Quantas Páginas Deve Ter? Normas e Orientações

Entenda quantas páginas um TCC precisa ter, o que a ABNT diz sobre extensão, e por que o número importa menos do que o argumento.

tcc abnt metodologia escrita-academica

A pergunta que todo mundo faz, mas poucos respondem direito

Quantas páginas precisa ter o meu TCC? Provavelmente você já fez essa pergunta para alguém. Provavelmente recebeu uma resposta como “depende do seu curso” ou “vai entre 50 e 80 páginas”, e ficou tão perdida quanto antes.

O problema não é a resposta ser vaga. É que a pergunta está pedindo a informação errada.

A ABNT não define um número mínimo ou máximo de páginas para o Trabalho de Conclusão de Curso. As normas técnicas brasileiras regulam a formatação, a estrutura, as citações e as referências. A extensão do trabalho é definida pela instituição de ensino, pelo regulamento do curso ou pelo manual específico de TCC do programa.

Antes de qualquer estimativa geral, consulte o documento da sua própria instituição.

O que a ABNT regula de fato

A norma NBR 14724, que trata de trabalhos acadêmicos, define a estrutura do TCC em três blocos: elementos pré-textuais, textuais e pós-textuais.

Os pré-textuais são tudo que vem antes do texto: capa, folha de rosto, folha de aprovação, dedicatória, resumo, sumário, listas de figuras e tabelas, entre outros. Nenhum deles é “texto” no sentido de argumento acadêmico.

Os textuais são a introdução, o desenvolvimento e a conclusão. É aqui que o argumento acontece.

Os pós-textuais incluem referências, glossário, apêndices e anexos.

A contagem de páginas que importa, do ponto de vista do conteúdo, é a dos elementos textuais. Mas o regulamento da sua instituição vai dizer se a contagem inclui todos os elementos ou só os textuais. Consulte esse documento antes de calcular qualquer coisa.

Faixas comuns por nível de formação

Essas são as faixas mais comuns que aparecem nos regulamentos de TCC no Brasil. Não são regra universal: o que manda é o documento da sua instituição.

Em cursos de graduação, o mais comum é entre 40 e 80 páginas de texto. Alguns cursos de humanidades pedem mais, alguns cursos técnicos pedem menos. Há regulamentos que fixam 30 como mínimo, outros que colocam 100 como máximo.

Especialização e MBA costumam pedir menos, em torno de 30 a 60 páginas, porque o foco é aplicação de conhecimento a um problema prático.

Mestrado profissional varia mais, de 50 a 150 páginas, dependendo da área e da exigência do programa.

Repito: essas faixas são referência, não regra. Verifique o regulamento.

Por que o número de páginas é o critério errado

Pesquisadoras que ficam preocupadas com o número de páginas geralmente estão com o foco no lugar errado.

A banca não abre o TCC, conta as páginas e dá aprovação ou reprovação com base nisso. O que a banca avalia é se a pergunta de pesquisa está clara, se a metodologia é adequada, se o referencial teórico sustenta as escolhas, e se os resultados respondem ao que foi proposto.

Um TCC de 50 páginas com argumento coeso e metodologia bem descrita passa. Um de 120 com introdução estendida, referencial solto e discussão vaga não passa, ou passa com ressalvas sérias.

O tamanho certo é o necessário para o argumento. Essa conta não tem atalho.

O que faz o TCC engordar sem que o argumento melhore

Há padrões que inflam o trabalho sem adicionar conteúdo real. Identificá-los cedo evita retrabalho.

O mais comum é o referencial teórico que vira fichamento de leitura. Quando o capítulo descreve o que cada autor disse, sem articular isso com a pergunta de pesquisa, ele pode ter 40 páginas sem cumprir a função que deveria. Referencial bom é mais curto e mais preciso.

Citações longas sem análise também engordam. Transcrever trechos de outros autores sem comentar, contextualizar ou confrontar com os seus dados aumenta o volume sem adicionar argumento próprio.

Repetição entre seções é outro padrão frequente. Apresentar os mesmos dados na metodologia, nos resultados e na discussão, com variações de redação, infla o texto sem nada novo.

Apêndices desnecessários, instrumentos de coleta e transcrições completas para “mostrar que a pesquisa foi feita” também engordam o trabalho. Se o apêndice não é necessário para o leitor entender o argumento principal, provavelmente não precisa estar lá.

A formatação engana: páginas não são argumento

Fonte 12, espaçamento 1,5, margens de 3 cm à esquerda e 2 cm nas demais: essa é a configuração padrão da ABNT. E ela afeta bastante o número final de páginas.

Um parágrafo de 200 palavras ocupa espaço diferente dependendo de como o documento está formatado. Cabeçalho de capítulo com espaço antes e depois, citações longas recuadas com fonte menor, figuras e tabelas: tudo isso muda a contagem sem mudar o argumento.

Comparar páginas entre trabalhos sem considerar a formatação é inútil. O TCC da colega do semestre passado tinha 70 páginas? Pode ser que o dela tivesse fonte maior, margens diferentes, mais tabelas. Ou que o argumento dela realmente fosse mais extenso. Você não sabe só pelo número.

O que você sabe com precisão: qual é a extensão mínima exigida pelo regulamento, com a formatação padrão da sua instituição. Formatar de um jeito especificamente para atingir a contagem mínima sem que o argumento esteja completo não resolve nada na defesa.

Como o Método V.O.E. ajuda a calibrar a extensão

O Método V.O.E. (Visualizar, Organizar, Escrever) começa com a fase de Visualizar: mapear o argumento completo antes de escrever. Quando você tem esse mapa, é muito mais fácil perceber o que é necessário e o que é ornamental.

Pesquisadoras que escrevem sem mapa tendem a acumular conteúdo com medo de que fique curto demais. O resultado é um texto longo com partes que não contribuem para o argumento central. Com o mapa, você sabe o que cada seção precisa fazer, o que é necessário dizer em cada uma, e quando está feito. O trabalho fica no tamanho que precisa ser, nem um parágrafo a mais do que o argumento exige.

O que realmente importa antes da defesa

Consulte o regulamento do TCC do seu curso. Anote o mínimo e o máximo de páginas, se houver. Anote se a contagem inclui pré e pós-textuais ou só o texto. Se o documento não for claro, pergunte à coordenação do curso antes de começar a escrever, não depois de ter 60 páginas que podem estar no formato errado.

Converse com a orientadora sobre o escopo adequado para a sua pesquisa. Ela conhece o curso, a banca e o nível de detalhe esperado.

E escreva o necessário para o argumento. Se o trabalho estiver curto, provavelmente falta argumento, não falta texto. Adicionar introdução histórica, citar mais autores sem articulá-los, ou incluir tabelas descritivas desnecessárias para atingir a contagem não resolve o problema: a banca percebe.

Se estiver longo demais, provavelmente tem conteúdo que não contribui para a resposta da pergunta de pesquisa. Releia cada seção com a pergunta: “isso responde ao que propus ou só ocupa espaço?” Se for a segunda opção, pode cortar.

Faz sentido? O TCC bom não tem tamanho fixo. Tem argumento claro. E argumento claro é exatamente o que a banca está procurando quando abre o seu trabalho no dia da defesa.

Perguntas frequentes

Quantas páginas um TCC precisa ter obrigatoriamente?
A ABNT não define um número fixo de páginas para TCC. Quem estabelece o mínimo e o máximo é a instituição de ensino, o curso ou o regulamento do programa. O número varia bastante: cursos de graduação costumam pedir entre 40 e 80 páginas de texto, enquanto especializações podem pedir menos ou mais dependendo da proposta. Consulte o manual do TCC da sua instituição.
O que conta como páginas no TCC segundo a ABNT?
A ABNT (NBR 14724) divide o TCC em elementos pré-textuais, textuais e pós-textuais. A contagem de páginas geralmente se refere ao texto em si, ou seja, introdução, desenvolvimento e conclusão. Capa, folha de rosto, sumário, listas, referências e apêndices podem ou não entrar na contagem, dependendo do critério da instituição. Isso deve estar especificado no regulamento do seu curso.
TCC com poucas páginas pode ser reprovado pela banca?
A banca não reprova um TCC pelo número de páginas em si, mas pelo que está nessas páginas. Um trabalho curto pode ser reprovado se o argumento estiver incompleto, a metodologia mal descrita ou o referencial teórico insuficiente. Por outro lado, um TCC longo com conteúdo diluído também corre esse risco. O critério da banca é a qualidade do argumento, não a extensão.

Leia também

Receba estratégias de escrita acadêmica direto no seu feed

Siga a Dra. Nathalia no YouTube e Instagram para conteúdo gratuito sobre o Método V.O.E.